03/11/2009 - 20:04 — Estradas
69% das rodovias do país são reprovadas, diz pesquisa
De acordo com o levantamento da CNT (Confederação Nacional do Transporte), 69% das estradas do Brasil foram reprovadas. Segundo a pesquisa, 24% delas são ruins ou péssimas, e 45% estão em condições regulares, o que não quer dizer aprovadas. Apenas 31% das estradas apresentam boas ou ótimas condições. Lembrando que o trabalho abrange apenas rodovias asfaltadas.
Foram avaliados 89.552 km de estradas, sendo 84% delas pertencentes ao governo. Com relação ao último levantamento, feito em 2007 houve melhoras. Contando os pontos regulares, 73,9% foram desaprovados há dois anos, quando 33,1% das rodovias estavam em situação ruim ou péssima.
A pesquisa foi feita entre junho e julho e foram analisadas todas as estradas federais pavimentadas, as principais estaduais e 14.215 km ou 15% do total, sob concessão da iniciativa privada. A avaliação analisou três aspectos, como pavimentação, sinalização e o traçado das vias. De acordo com a confederação, 48.599 km estão com em estado crítico, o que corresponde a 54,2% das rodovias. Já os problemas de sinalização foram observados em 57.240 km (63%). As estradas que não contam com acostamento representam 41.435 km e 4.144 km estão com afundamentos, ondulações ou buracos. O estudo mostra que 7,1% ou 6.354 km estão em péssimo estado e 15.150 km (16,9%), estão ruins.
A CNT calcula que devem ser investidos R$ 32 bilhões para que seja recuperada a malha rodoviária, ou seja, seis vezes o que o governo federal destinou as estradas em 2008. Segundo o diretor executivo da CNT, Bruno Batista, em entrevista ao jornal O Globo, a deterioração é permanente e qualquer investimento adiado resulta em despesas maiores.
Um dos danos causado pela precariedade das rodovias é o consumo crescente de combustível por casa da velocidade mais baixa, uma perda de até R$ 4,3 bilhões. Ainda de acordo com as pesquisas, os problemas de pavimentação não levam a restrição de velocidade em 95,3% das estradas. Em 27% das rodovias com curvas perigosas, apenas 13% contam com placas de sinalização legíveis e auxilio para impedir que os veículos saiam da pista.
O estudo mostra que a região Norte apresenta a pior situação, com 90% de rodovias em más condições. O Amazonas não conta com estradas boas ou ótimas, 27,2% estão em situação péssima, 56,7% estão ruins e 16,1% regulares. No Acre, o índice piora, são 98,7% em situação insatisfatória e em Roraima, 43,6% estão péssimas.
Com a maior malha rodoviária do Brasil, Minas Gerais tem a maior extensão de pistas em piores condições, 1.036 km em péssimo estado e 2.234 estão ruins. As regiões Sul e Sudeste estão com as melhores rodovias. São Paulo tem 54% de estradas consideradas ótimas e 21,1% boas, com 75,4% de satisfação dos paulistas. Distrito Federal, Alagoas e Amapá não têm pontos considerados péssimo.
A pesquisa diz que as rodovias terceirizadas estão melhores que as públicas, 76,5% são boas ou ótimas, 1,9% ruins, 21,7% regulares, 33,9% bons e 42,6% ótimos. Nenhum trecho foi avaliado como péssimo.
Rio de Janeiro
A segunda maior dimensão de estradas boas ou ótimas pertence ao Estado do Rio de Janeiro, 63,3%, perde apenas para São Paulo, com 75,4%. Foram analisados 2.185 km de rodovias fluminenses asfaltadas. Isso representa 42,1% do total de 7,4 mil km das estradas pavimentadas no Rio de Janeiro.
No estado, o que foi pesquisado, é mais da metade pertencentes à iniciativa privada, 1.240 km ou 56,8% do total estudado. Entre as cinco classificações, a maior é exatamente ótima com 38,7%. O tópico bom equivale a 24,7%.
A malha rodoviária fluminense tem 36,7% de trechos em situação regular, 29,6% ruim, 5,1% péssima, 2%. A pavimentação é a melhor avaliação das estradas do Rio de Janeiro, 70,5% (1.541 km), considerados ótimos e 3,3% bom. Na sinalização 52,3% estão ótimos e 16,6% bons, com 68,9% de aprovação.
As notas mais baixas foram referentes à geometria das vias, 11,8% são ótimas e 23,5% boas, com 35,3% de aprovação. Já 38,8% das rodovias do estado receberam classificação regular, 16,3% ruim e 9,6% péssimo.
Da pesquisa feita no estado do Rio de Janeiro, onde foram avaliados 2.185 km, 70,6% ou 1.543 são de pista simples de mão dupla e 26,1% de pista dupla. Não há faixa adicional em 88,9% das estradas em pontos de subida e 58,4% tem curvas perigosas.
De acordo com a CNT, a ordem de paralisação das 26 de 62 obras por suspeita de irregularidades pelo TCU (Tribunal de Contas da União), terá uma perda anual com atraso de R$ 745,5 milhões, ou 67% do custo das obras de R$ 1,1 bilhão.
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Agência MBPress