23/07/2008 - 10:22 — Projetos
As equipes de resgate da cidade de São Paulo vão utilizar um soro diferenciado para prestar socorro às vítimas de acidentes de trânsito na capital paulista. A solução hipertônica tem maior quantidade de cloreto de sódio que o soro comum e estará disponível a partir da próxima semana. As informações são do "Jornal da Tarde".
O Sistema Único de Saúde (SUS) fornecerá a substância, que aumenta em 400% a capacidade de reter água no corpo do paciente, mantendo estável a pressão arterial por um período maior. Com isto, a chance de sobrevivência da vítima, até chegar ao hospital, é maior. O Grupo de Resgate de Atendimento de Urgência (Grau), da Secretaria de Estado da Saúde, juntamente com o Corpo de Bombeiros, definiu na última terça-feira o protocolo de utilização do "soro da vida" (como foi apelidado), que custa cerca de R$ 25,00 e será aplicado em vítimas com traumatismo craniano grave ou em choque com hemorragia.
O objetivo do novo recurso é conservar a pressão arterial a um nível considerado estável dentro do intervalo de tempo até a chegada do socorro que, nos últimos cinco anos vem perdendo a agilidade. De 2003 a 2008, o tempo de chegada de uma equipe de socorro saltou de sete para 15 minutos, por causa do alto índice de congestionamento.
De acordo com a gerente operacional do Grau, a médica Júnia Shizue Sueoka, a equipe atende 15 vítimas graves por dia. Segundo ela, um dos maiores desafios da equipe é desvencilhar do trânsito lento de São Paulo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) atende diariamente 700 ocorrências.
A marca atual para a ambulância chegar ao acidentado é 87% maior do que os oito minutos considerados ideais pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Deve-se levar em consideração também o aumento exorbitante de carros circulando na cidade de São Paulo, de 4,7 milhões para 6,1 milhões na última década. Conseqüentemente, houve queda de velocidade dos veículos nos horários de pico, que é de 17 Km/h diante de 25 Km/h registrados há dez anos.
A Sociedade Paulista de Cardiologia relata que na capital o índice de sobreviventes de parada cardíaca é menor do que 2%, já em cidades com trânsito menos carregado, o número aumenta consideravelmente, 8%.
Inicialmente, o soro será usado em vítimas levadas para os hospitais das Clínicas, Mandaqui, Santa Marcelina de Itaquera e Santa Casa de Misericórdia, que são referências em trauma. A supervisora médica do Grau, Carla Abgussen, diz que o soro será adotado como padrão se o resultado for positivo.
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Agência MBPress